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Home. Curso de Arquivologia | O Arquivista e o mercado de trabalho

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Pilhas de documentos encostados no canto de uma sala, milhares de informações importantes perdidas em papéis sem qualquer identificação. A cena é recorrente em vários órgãos públicos e em empresas privadas que, na maioria das vezes, não dão o valor necessário aos documentos que contam sua história. Certidões, comprovantes e relatórios, que podem fazer a diferença na vida de várias pessoas, são deixados de lado pela falta de uma organização correta.

Mas o quadro está mudando. Nos lugares onde a prática é adotada, como no Arquivo Nacional, órgão ligado à Presidência da República, pode-se perceber a importância da criação de catálogos. O acervo de mais de 55 quilômetros de documentos textuais, 1,9 mil fotografias, 55 mil mapas e plantas, 6.060 discos, 1.971 fitas audiomagnéticas, 49 mil filmes e 2,9 mil fitas videomagnéticas – do século XVI aos dias atuais – está disponível a qualquer cidadão que queira se aprofundar um pouco mais na história brasileira.

O arquivista é o profissional capaz de recuperar, no menor tempo possível, uma informação armazenada em qualquer que seja o meio – papel, computador. A organização implica pesquisa, recuperação e classificação de documentos que vão desde certidões de nascimento até documentos sigilosos de guerra. A consulta ao documento certo, sem perda de tempo, pode garantir rápidas decisões e até um posicionamento estratégico mais eficiente.

Novos e antigos – De acordo com o professor Rogero Araújo, coordenador do curso de Arquivologia da Universidade de Brasília (UnB), o objeto de estudo do arquivista vai do chamado “documento corrente” – usado no cotidiano –, passa pelo “documento intermediário” – que ainda não chegou ao nível de patrimônio mas também não é usado no dia-a-dia – e se estende até os documentos históricos. A divisão é baseada no modelo francês de três idades do documento arquivístico. “Na maioria das vezes, o aluno entra achando que vai mexer só com papel velho e documentos raros. Mas a gestão da informação também é útil para a facilitar o acesso a documentos que precisamos usar no dia-a-dia”, explica o professor.

Na UnB, o curso só é oferecido à noite. Nos quatro anos do curso, os estudantes entram em contato com teorias em gestão estratégica e planejamento de sistemas de informação e de administração de arquivos permanentes. O tratamento técnico-documental, que envolve geralmente classificação, indexação, descrição e armazenamento, é ensinado aos futuros arquivistas em aulas teóricas e práticas. Os alunos aprendem também técnicas de conservação dos documentos, para recuperar papéis degradados pelo tempo e regular umidade e temperatura de acervos.

Com o avanço da tecnologia, os documentos digitais também se tornam objetos arquivísticos e os alunos já aprendem a tratá-los como tal. Segundo Araújo, o arquivamento pode ser feito tanto com a reprodução do documento para papel ou por meio de programas de computador que mapeiam o arquivo desde sua criação.

Não falta vaga – O governo é um dos principais empregadores do arquivista em Brasília. A proximidade com o poder público é uma vantagem para o profissional graduado na cidade. Muitas vezes, o trabalho também é prestado a pessoas que querem ter seu arquivo pessoal organizado. Os arquivistas são procurados para facilitar o acesso à chamada “massa documental” de personalidades como, por exemplo, o jornalista Mário Garófalo, presidente da Brasília Super Rádio FM. De acordo com Araújo, o filho de Garófalo procurou profissionais na universidade, pois tinha a consciência da riqueza de informações contidas nas papeladas sobre seu pai e que precisavam ser arquivadas.

Primeiros passos - Para quem não quer esperar chegar ao mercado de trabalho para pôr a mão na massa, estágios e a empresa júnior de Arquivologia Omnidocs são boas opções. “Aqui colocamos em prática o que aprendemos na teoria e passamos por experiências que encontraremos fora da universidade”, explica o estudante William Jerônimo Gontijo, diretor da empresa júnior criada no começo de 2004.

Com uma equipe fixa de aproximadamente dez alunos e mais de 30 associados cadastrados – que podem ser convocados para executar os projetos –, a Omnidocs atende principalmente a empresas de pequeno e médio porte, organizando acervos e recuperando documentos. “Primeiro fazemos o diagnóstico, depois elaboramos uma proposta com a demanda de material, tempo e mão-de-obra e só então elaboramos o contrato e iniciamos o trabalho”, explica Gontijo.

Fonte: http://www.unb.br

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